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Março/2012
As deusas e a mulher
Postado por: Sandra Midori Kuwahara Sasaki Categoria: Blog

Ontem dei uma palestra sobre as deusas gregas em comemoração ao dia Internacional da Mulher, e foi um prazer muito grande. Apesar de não ser uma expert em mitologia, decidi encarar este desafio e comecei a reler textos, livros e boas referências sobre o tema. Escolhi como bibliografia principal o livro da excelente psiquiatra americana Jean Shinoda Bolen intitulado “As deusas e a mulher”, e fiquei com vontade de transmitir aos meus leitores um pequeno resumo sobre as 7 deusas principais segundo esta autora.

Mas antes gostaria explicar algumas coisas. Algumas abordagens da Psicologia usam a Mitologia e os contos de fadas como referência para sustentar dados teóricos. Por que? Porque nos contos e mitos existem uma série de situações que correspondem às vivências que temos que encarar no nosso dia-a-dia. Os contos de fadas ajudam a criança a se preparar para diversas situações, elaborando as dificuldades e fortalecendo-a internamente.

No caso do mitos os conteúdos são fortemente transmitidos, e temas como a morte, traição, seqüestro, violência são expostos de uma maneira tão dramática que muitas vezes chocam o leitor. Mas infelizmente a vida não é mesmo feita apenas de coisas boas, não é mesmo? Por isso os mitos são tão fascinantes. Eles trazem o melhor e o pior da realidade humana.

Bom, então vamos falar um pouco sobre as deusas. Creio que o aspecto mais interessante de entrar em contato com a mitologia das mulheres é tentar refletir sobre todas as deusas que estão dentro da gente. Qual é a mais predominante? Onde elas nos tocam? Qual é o nosso mito pessoal? Esta é resumidamente a proposta de Jean Bolen:

  1. -Propiciar um guia para a alma em busca de sua integridade.

  2. -Despertar para a realidade da vida.

  3. -Despertar para o seu mito pessoal.

A autora concentra-se em 7 deusas, dividindo-as em 3 categorias: deusas virgens, deusas vulneráveis e deusas alquímicas.

AS DEUSAS VIRGENS

Por que deusas virgens? As deusas virgens têm como característica principal a independência. Elas são auto-suficientes, ou seja, não precisam de um marido, uma mãe, ou um amigo para viverem. Elas são “uma em si mesma”. Os afetos não as desviam do que é importante, procurando seguir sempre os seus objetivos pessoais. São elas: Ártemis, Atená e Héstia. 

Ártemis, deusa da caça e da lua: 

  1. -Filha de Zeus e Leto, e irmã gêmea de Apolo.

  2. - Ajudou a mãe nas dores do parto do irmão Apolo por 9 dias e 9 noites, e é considerada a deusa do parto.

  3. -Feminista e competitiva.

  4. -Evitou o contato com os homens e passou sua vida na selva com seu grupo de mulheres.

  5. -Trabalha em prol das mulheres, protegendo-as e punindo quem as ameaçam.

  6. -Matou o único homem que amava (Órion), tornando-se vítima de sua própria natureza competitiva.

Atená, a deusa da sabedoria e das artes:

 

  1. -Nasceu da cabeça de Zeus.

  2. -Deusa guerreira, protetora das cidades.

  3. -Aprecia estar no meio do poder masculino.

  4. -Só teve uma amiga, mas a matou “acidentalmente” numa competição (não tem amigas por falta de empatia ou porque a necessidade de vencê-las pode ser fatal).

  5. -Sente-se atraída por homens bem sucedidos.

  6. -São impacientes com pessoas /homens sonhadores. Não consideram românticos os poetas que passam fome, por exemplo.

 

Héstia, a deusa da lareira e do templo

  1. -Filha de Réia e Crono.

  2. -Arquétipo da centralização interior.

  3. -Calma e auto-suficiente.

  4. -Sua presença transforma a casa num lar.

  5. -Nos permite entrar em contato com nossos valores trazendo à luz o que é significativo.

  6. -Afastou-se dos homens e evitou situações competitivas para viver calmamente.

 

AS DEUSAS VULNERÁVEIS

Representam os papéis tradicionais de esposa, mãe e filha. São orientadas para o relacionamento. Sua personalidade e bem-estar dependem de um relacionamento significativo. Expressam necessidade de amor e vinculo. São sintonizadas aos outros e sensíveis. Sofrem quando um afeto é rompido. São elas Hera, Deméter e Core-Perséfone:

Hera, a deusa do casamento (esposa)

  1. -Filha de Reia e Crono.

  2. -Esposa de Zeus. 

  3. -Imponente e real.

  4. -Sofreu muito por causa da infidelidade de Zeus, sendo humilhada constantemente por conta dos relacionamentos extra-conjugais do marido.

  5. -Proporciona a capacidade de ser leal e fiel,  de suportar e passar por dificuldades com o companheiro.

  6. -Sem o lado Hera, a mulher pode passar por uma série de relacionamentos de curta duração.

  7. -Sente-se incompleta sem um companheiro.

 

Deméter, a deusa do cereal (mãe)

- Filha de Réia de Crono.

  1. -Representa o instinto maternal desempenhado na gravidez, da nutrição fisica, psicológica ou espiritual aos outros.

  2. -Realiza-se no papel de mãe.

  3. -Pode entrar em depressão caso isso lhe seja negado.

  4. -A história de Deméter e sua filha Core-Perséfone retrata bem a relação mãe/filha (contarei mais adiante o resumo da história desta relação).

Core-Perséfone, Jovem/Rainha do inferno (filha)

  1. -Filha de Deméter e Zeus.

  2. -Mulheres deste tipo tem uma qualidade jovial. Pode parecer mais jovem do que é, ou ter alguma coisa de infantil em sua personalidade.

  3. -Representa a juventude, a vitalidade e potencial para o novo crescimento, a primavera.

  4. -Quer agradar a mãe, obediente, condescendente, cautelosa.

  5. -Mais tarde, ao ser seqüestrada por Hades e levada ao inferno, torna-se Perséfone, representando as camadas mais profundas da psique.

  6. -Capacidade de transitar entre o mundo real e o inconsciente.

Resumo da história mítica entre Deméter e Core-Perséfone:

Certo dia, Core estava colhendo narcisos na floresta quando de repente surge Hades de uma fenda aberta no chão, seqüestrando-a para o mundo dos infernos. Sua mãe Deméter fica desolada, e sua tristeza deixa a terra improdutiva, afinal ela era a deusa da colheita. Zeus ordena que Hermes vá buscar Core no mundo de Hades. Mas como ela havia comido sementes de romã teve que fazer um acordo entre os dois mundos ficando metade do ano com a mãe e a outra metade com Hades. Desta história surgiu o ciclo das estações do ano: no outono e inverno a terra fica entristecida e fria representando a viagem de Core-Perséfone para o mundo de Hades. Na primavera e verão o mundo fica produtivo e iluminado, pois Core-Perséfone volta para o aconchego da mãe. Não é lindo isso?

A DEUSA ALQUÍMICA

A deusa alquímia tem a consciência focada e receptiva permitindo dupla alternância em que ela e o outro são afetados. Produz amor, beleza, atração erótica, sensualidade, sexualidade e vida nova. Motiva as mulheres a procurarem intensidade nos relacionamentos, em vez da permanência neles. Motiva a valorizar o processo criativo e a ser receptiva às mudanças. Jean Bolen escolheu Afrodite como representante da deusa alquímica.

Afrodite, a deusa do amor

  1. -Filha das espumas, dos movimentos das marés, da leveza, da água marinha, fonte da vida. 

  2. -Nasceu bela. A mais bela e irresistível das deusas.

  3. -Viveu relacionamentos de sua própria escolha e nunca foi ludibriada.

  4. -Manteve ao mesmo tempo sua autonomia (como as deusas virgens) e sua vulnerabilidade (como as deusas vulneráveis).

  5. -Motiva a intensidade nos relacionamentos, onde ambos são afetados.

  6. -Está presente em todo trabalho criativo.

  7. -Casada com Hefesto, o deus artesão. A união de Afrodite (beleza) com Hefesto (artesanato) é a arte.

  8. -Teve filhos com outros deuses. Teve 3 filhos com Ares (deus da guerra) : Harmonia, Deimos (Terror) e Fobos (Medo). Afrodite e Ares representavam a união de duas paixões incontroláveis: Amor e Guerra. Teve um filho com Hermes: Hermafrodito.

Gostaram? 

“Tanto no mito como na vida, quando a heroína está num dilema, tudo que pode fazer é ser ela mesma, ser fiel a seus princípios e lealdades” (Jean Bolen).

Então reflitam: 

Qual é o seu mito pessoal?

Descubra o seu próprio mito.

Construa sua própria história.

Privilegie sua escolha interior.

Renasça enquanto mulher.

Seja dona dos seus desejos.

 

VIVENCIE OS DIFERENTES ASPECTOS DAS DEUSAS EM SUA VIDA!

Em cada mulher há uma heroína em potencial: DESCUBRA-SE!

   

 

 

 

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